Saturday, February 27, 2010
Sunday, November 15, 2009
Não podem apagar o meu blogue assim, sem dar cavaco a ninguém!
Tuesday, October 2, 2007
Acabo de perceber…
Outubro de 2007. Estou estupefacta com o facto de ter passado um ano inteiro desde a última vez que escrevi. Parece-me, de resto, uma altura acertadamente simbólica para recomeçar, já que passei um ano inteiro a ter fugazes lembranças de escrever mas sempre com a sensação que tinha escrito no mês anterior… Fugazes, porque se desvaneciam no bulício diário como fumo. E o fumo não se consegue segurar…
Tenho de fazer um balanço. Sim, parece-me que um balanço está em ordem… Que me aconteceu em doze meses? Mudei de emprego. Mas isso não interessa, eu continuo a ser eu. Se calhar um eu mais banal, mas também mais equilibrado. Mas banal. Parece-me que é inexorável: a rotina começa a roer-nos a ponta dos pés e vai marchando e galgando terreno até não sermos mais do que uma sombra da figura brilhante que queríamos ser e sempre quase, quase, fomos. Subitamente, tenho uma pilha de livros começados e nunca acabados na mesa de cabeceira, uns quantos esboços perdidos, umas linhas soltas perdidas aqui e ali em papéis semi-amarrotados abandonados em fundos de gavetas e que a mulher-a-dias lê à socapa (de espanador encostado ao ombro e lenço na cabeça, como nos filmes!) e abana a cabeça no fim, perplexa. E o meu eu artístico acena-me de longe, atirando-me notas de vinte, com um ar sarcástico. E piedoso. Ó vil metal! Por ti e pelas férias no estrangeiro, pelo que está no armário, pelos luxos da Fnac desaproveitados e inacabados me proponho definhar em espírito… Que me abandona a esta existência de Yuppie com tendências alternativas, vida a dois de classe média, grotescamente mediana!
Que a solidão é a coisa mais romântica e inspiradora que existe.
Tuesday, October 10, 2006
Corpo impaciente
ou pelo amor. Este pousar de mãos,
tão reticente e que interroga a sós
a tépida secura acetinada,
a que palpita por adivinhada
em solitários movimentos vãos;
este pousar em que não estamos nós,
mas uma sêde, uma memória, tudo
o que sabemos de tocar desnudo
o corpo que não espera; este pousar
que não conhece, nada vê, nem nada
ousa temer no seu temor agudo…
Tem tanta pressa o corpo! E já passou,
quando um de nós ou quando o amor chegou.
O espelho de Narciso
«Preciso que me ajudes… Sim, tu! Eu sei que fui eu quem te renegou, quem nos renegou a nós. Os erros que cometi só podem ser ultrapassados de me rojar a teus pés e me encher duma esperança desesperançada, mas que, ainda assim, existe. Porque tu, ao contrário de mim, tinhas a certeza e me disseste que me esperarias sempre.».
Ainda não estou preparada para o salto final, para o estertor que me trará de volta, para que me abraces finalmente. Quanto aos erros, obstáculos a esta nuvem branca, não sei. Encho-me de uma derradeira paciência, porque não se pode esperar apoio de quem está vazio… O vazio é triste, e feio, e nunca saberá nada sobre o que já tivemos, em tempos. No fundo, apiedo-me de tanto Narcisismo, porque olhar para o espelho não faz com que estejamos acompanhados… é estar só. Lembro-me da despedida egoísta que foi feita naquela noite quente, o Ritual dos Sentidos, e que me marca como um ferro em brasa. Como poderia eu esquecê-la? Faz-me mal e corrói-me por dentro. Renego este pensamento, porque me impede de correr para o objectivo final da redenção. Os erros hão-de desvanecer-se sozinhos, quando bem entenderem, porque afinal só olham para si mesmos… como que para o espelho.
Sunday, May 21, 2006
Da autosuficiência
Queria dizer antes: consciência da realidade. Somos aquilo que pretendem de nós. Temos de sorrir e ser autosuficientes, não podemos precisar dos outros; a isto chama-se fraqueza humana, e a fraqueza é como em qualquer espécie do Reino Animal, uma condenação a um estado de dependencia que nos torna parasitas ou pode até significar extinção. Em qualquer um dos casos, leva a um fim prematuro da existência. Somos feitos para ser autónomos, estamos preparados até para viver sozinhos, se for caso disso, isolados de qualquer outra presença que não seja indispensável à sobrevivência na sua base. A uma sucessão de fraquezas segue-se a aniquilação final ou a passagem a uma outra fase, que se traduz num estado de força superior… É como a Lei de lamarck enuncia: o uso faz o orgão e a sua funcionalidade. Aprender é vivenciar experiências pedagógicas, que nos preparam ou nos causam a derrota final. Sorrir, parecer feliz e realizado, garantir uma imagem de sucesso e divertimento: é a chave para a atracção dos pares, que do mesmo modo, fogem em debandada à primeira evidência de ruptura.
Um meio diferente pode significar a alteração total das ideias e dos desejos, pode mudar a vida para sempre. Perdemos a noção de quem somos e do que queremos, agimos em conformidade com o momento. Se de repente somos novamente inseridos no ninho, já não sabemos como caber nele, e as coisas são irrevogáveis, mesmo ganhando a consciencia do logro. É tão mau quando qualquer coisa morre em nós, a ideia do que podia ser e não foi. A vida pode ser uma sucessão de momentos felizes, se a encararmos como uma longa experiencia pedagógica.
Quem me dera não aprender tanto.
Thursday, May 18, 2006
Da falha interior
Falta-lhe um bocado.
Verte confiança, transborda serenidade. Não se abala, não sente nada. Não menospreza aquilo que não conhece, daquilo que os humanos sentem… Sabe que lhe falta, mas não pode sentir falta do que não conhece. Sabe que só pode apreciar a vida por cada momento… se num instante quer alguma coisa, e lhe apetece, vai e tenta-a, mas se não a consegue também não sente frustraçao.
Só pode lamentar que os impulsos guiem aqueles que sentem demais.
Thursday, May 11, 2006
Platão (400 aC), diz que “… também nas mulheres e pelas mesmas razões, a chamada matriz ou útero é um animal que vive nelas com o desejo de fazer filhos. Quando fica muito tempo estéril, após o período da puberdade, tem dificuldade em suportá-lo, indigna-se, erra por todo o corpo, bloqueia os condutos do hálito, impede a respiração, causa mal-estar extremo e ocasiona doenças de toda espécie”.
Hipócrates, que foi contemporâneo de Platão, fala da histeria no capítulo reservado às doenças femininas, e corrobora a idéia da movimentação do útero no interior do corpo da mulher também serve como explicação para outras doenças, além da histeria. Por exemplo, a suspensão das regras também era provocada por esta migração uterina. Se a mulher não mantinha relações sexuais e o ventre se encontrava vazio (não grávido), o útero sofria um deslocamento devido ao ressecamento e à leveza, (maiores que o normal), provocados pela ausência do coito.
Hipócrates achava, de facto, que a sufocação da matriz (útero) ocorria, sobretudo, em mulheres que estavam em abstinência sexual.
Naquelas mulheres, os espaços encontrar-se-iam mais vazios que ordinariamente, o útero ressecado e mais leve deslocar-se-ia em direção aos vários órgãos. Quando este se lançava sobre o fígado, causava uma sufocação súbita que interceptava a via respiratória “localizada no ventre”. Nestas ocasiões, os olhos se reviravam, a mulher tornava-se fria e lívida, cerrava os dentes, salivava abundantemente e assemelhava-se aos epilépticos em crise. O prognóstico era bom e o ataque sobrevinha em plena saúde. O útero também podia lançar-se sobre outros órgãos, como o coração, a vesícula, etc. A sintomatologia era variada: vômitos, afonia, dores de cabeça, esfriamento das pernas, etc.
O tratamento hipocrático para histeria, à semelhança dos egípcios, consistia em reconduzir o útero ao seu lugar de origem através de remédios que eram inalados e fumigações de preparados exóticos. A relação entre histeria e, digamos, preenchimento vaginal, era tão marcante que um bom remédio para os casos onde a doente perdia a voz e cerrava os dentes, seria introduzir-lhe na vagina um pessário (consolo) embebido em substâncias perfumadas até que o útero voltasse ao seu lugar. O tratamento preventivo, conseqüentemente, era o casamento para as jovens solteiras e o coito para as casadas.
Monday, May 8, 2006
O Monstro não precisa de amigos
É monstro sem o saber. E tem alguns sentimentos, também, o que torna um paradoxo a designação. Tem necessidades, muitas… sobretudo físicas, como os animais. Despreza fragilidades emocionais. Basta-se a si próprio e a pessoa que acompanhará será alguém que esteja por perto à hora certa, que se lhe depare no caminho que estipulou para si e de onde não se desviará um milímetro que seja, centrado no orgulho de quem sabe que vai além das expectativas que tinham sobre ele. Não olha para trás nem cede à fraqueza de se comover com factos do passado. As fotografias de gente que lhe é próxima são meras folhas de papel para onde nunca olha. Não sabe o que são saudades a não ser para se lembrar da falta física e da necessidade de contacto humano para actividades lúdicas de entretenimento. Não é, de resto, essencial, posto que os objectos que possui, escolhidos a dedo, servem-lhe para suprir a básica necessidade consumista de quem gosta de viver um modo de vida a raiar o ascetismo. As mulheres são objectos de adulação por quem se apaixona e inevitavelmente se desilude, ao descobrir que gostam naturalmente dele e de como ele se mostrou na altura em que fazia por consegui-las. Ilude-se, também, no fundo, quando pensa que existe uma parelha certa para ele… no fundo, enfada-se com a companhia, e faz-lhe falta é a distracção. Se alguém precisar dele, escorre como uma enguia e finca os pés como arauto da honestidade, clamando a viva voz que nunca prometeu ser ou dar mais do que aquilo, que a verdade é que têm de o amar como ele é. Faz isto numa altura em que já sabe que é fácil manipular o ser dependente que domou pela meiguice… Faz sofrer e sacode quem se debilita e contorce, em agonia. Não terá saudades, de qualquer modo…
Wednesday, April 12, 2006
The office
Uma sala cheia de luz, para despertar os espíritos entorpecidos. Secretárias juntas e expostas, para que tudo o que é feito por cada um seja sujeito ao escrutínio minucioso do outro. Nada escapa ao olhar atento do «Grande Irmão». Os mais novos são avaliados ao segundo. Cada vacilo, cada prova de empenho e esforço são sopesados numa balança contínua de prós e contras. Pessoas são investimentos arriscados, dispendiosos. Têm de corresponder. Por isso respondem eles e quem os levou até ali, depois duma série de entrevistas abstractas e testes empíricos de aptidão. A Lei do mais forte! Escolhidos entre muitos, há que incutir-lhes no espírito a ideia de que são priveligiados e de que são especiais por ali estarem, e logo, têm que estar à altura do muito que se espera deles. Levantar a moral, exibir regras, vender o lugar e o ambiente como mais-valias, como se fossem os anjos de um altar em que o mundo tem os olhos postos. Tudo é imagem, tudo é estatuto. A imagem é tudo, o estatuto é tudo. Gradualmente a engrenagem começa a funcionar como é suposto, mecanizam-se as frases e as atitudes, até serem também mais uma peça do sistema uniforme, mais um parafuso do circuito de roldanas que faz a grande máquina girar.
Mantenha um registo de tudo o que faz, porque certamente alguém lhe irá pedir esclarecimentos
Não apresente problemas sem solução; Escolhemo-lo para nos dar soluções
O que conta são os resultados, não o esforço dispendido
Anote as boas ideias: elas perdem-se… como as canetas
Nunca diga que algo não é da sua competência
O que fica retido na memória é a conclusão:
Acabe sempre MAIS FORTE do que começou