Os filmes de Cédric Klapisch

Pivovárská Flosna, República Checa.
Quem fez Erasmus sabe o quanto «A Residência Espanhola» é um espelho fiel do que acontece quando se vive em comunidade, quando o grupo é culturalmente heterogéneo e se une pela única coisa que realmente os liga naquela brecha de espaço/tempo: estão sozinhos num país estranho. É uma situação única que provoca a aproximação de pessoas que noutras circunstâncias jamais sequer conversariam, quanto mais tornarem-se amigos! Fantástico é que se acaba por adorar essas pessoas... por serem tão diferentes, não enjoam. É o novo 'espírito emigra', um bocado mais chique e muito na moda. Volta-se diferente, tal como voltou o Xavier, que abandona a perspectiva monótona e segura de um emprego de secretária para levar a vida incerta e fascinante de um escritor: a experiência condicionou toda a vida dele e todo o seu destino. Algo que eu própria senti à flor da pele foi a sensação de euforia duma certeza nova e estranha: Sou capaz de fazer o que quiser, não tenho limites e não há lugar aonde não pudesse ir se quisesse, e fazer o que quer que me apetecesse.
«As Bonecas Russas» mostra a fase seguinte da vida das pessoas que essa experiência modificou. O espírito errante permanece, o viajante sobrevive. A história não estagna, evolui... a vida é uma sucessão de eventos: uma colecção de experiências.
«Tout a comencé lá. Quand mon avion a decolé.»
