Dezembro 25, 2005

Teia de aranha

Pus-me a ler escritos antigos. Não devia. Fechei portas que não posso voltar a abrir, e remexer na lama não vai ajudar em nada... Mas custa sempre cortar o cordão umbilical, e ele é forte... a cicatriz dói durante muito, muito tempo. Às vezes lateja intermitentemente, e acende com intensidade em dias duros, como este. Podemos seguir tantos caminhos diferentes que se entrelaçam e separam que pensar nisso faz doer a cabeça! Pensar que certas coisas nunca teriam acontecido se naquela fracção de segundo não tivéssemos, por exemplo, olhado para o lado... Não sei se é verdade, como Yung afirma, que tudo acontece por uma razão. Soa um bocado a charlatanismo de feira, e envergonha-me ter este tipo de pensamento pouco pragmático mais típico duma dona de casa supersticiosa e assustadiça. Mas também assusta que as coisas estejam todas votadas ao acaso, que sejamos donos e senhores do nosso destino, apesar do labirinto ser completamente imprevisível, e a cada curva do caminho podermos deparar com um beco sem saída. Sempre nos agarrámos às religiões e crenças para explicarmos o inexplicável, e para termos a que nos agarrar de modo a ter confiança no futuro.

É um jogo de dados... arrisca-se. Perde-se ou ganha-se. Nunca se fica de fora...

Escrito por AnaDiáfana em 23:01:27 | Link permanente | Comments (0) |

Dezembro 24, 2005

Joyeux Noel:)

Feliz Natal para mim... e para ti....
Escrito por AnaDiáfana em 16:10:53 | Link permanente | Comments (0) |

Natal Português

Chafurdar a semana toda em centros comerciais atulhados de gente, disputar a velhas harpias uma peça que na altura parece perfeita para a tia Ró, passar horas em filas para pagar enquanto empregados de ar cansado perguntam monocordicamente «É para oferecer?», enquanto embrulham mecanica e displicentemente (gosto desta palavra, pronto...) aqueles odiosos objectos que arruínam as contas bancárias só para parecer bem... De seguida seguir em manada para o Hipermercado para comprar bacalhaus e perús às toneladas, com os miúdos já enfastiados a pendurarem-se nas mangas da roupa a perguntar «quando vamos embora?», aos gritos e a jogar as escondidas uns com os outros entre as estantes dos sabonetes e das fraldas... Voltar para o carro estacionado a quilómetros da saída, vergando sob o peso monstruosos de sacos sem número, enquanto se tenta desesperadamente não chocar com outros trausentes e se é permanentemente assediado por automobilistas retardatários que perguntam de olhar alucinado e veia na testa a latejar «vai sair??»

Escrito por AnaDiáfana em 16:00:32 | Link permanente | Comments (0) |

Dezembro 10, 2005

O que fode as relações.

Tenho um feitio fodido. Algo que já me disseram mais do que uma vez, as mais das vezes para sublinhar a admirável santidade da pessoa que se dava ao trabalho de o suportar pacientemente e para nunca senão muito raramente protestar, com a sua digna expressão de indignação. Tenho desenvolvido a teoria mental de que há dois tipos de mulheres: as que nunca estão contentes com nada, e as que estão às vezes, porque as suas vidas giram inteiramente à volta da de outra pessoa. Invejo, em certa medida, essas mulheres, que vivem à espera; é na espera e na expectativa que reside o verdadeiro gozo de certos momentos: uma vez atingidos os objectivos, há sempre novos, porque dependem de terceiros e de motivos externos à própria pessoa. No fundo é uma maneira fácil e cobarde de tentar ser feliz, tornando alguém a razão das suas vidas... ou então simplesmente uma maneira altruísta de ver a vida. Ou a mais egoísta de todas...? I don't really have a clue.

Escrito por AnaDiáfana em 19:05:10 | Link permanente | Comments (1) |

Dezembro 07, 2005

Muito aconteceu desde os livros da Anita...

Vou experimentar o Luís Sepúlveda. Tenho sede de novos ares culturais. Começo pelo «O velho que lia romances de amor», como é natural. Levo também  as «Memórias de uma menina bem comportada», da Simone. Não a tenho em grande conta; vou ver se mudo de ideias com este.

A biblioteca municipal desta pequena cidade onde nasci e vim passar uns dias é das poucas coisas boas que tem. Cidade enxovalhada pela corrupção mal dissimulada, e pelos sucesivos escândalos... é triste dizê-lo. Reservo-me no direito de não dizer o nome, embora assim não seja difícil adivinhar. Tinha saudades deste sítio, no entanto... o meu berço cultural. Sou sócia desde os seis anos: a sócia numero 20:)

Nem tudo é mau.

Escrito por AnaDiáfana em 18:52:17 | Link permanente | Comments (1) |

Dezembro 01, 2005

A felicidade agora a cores

A felicidade é isto: É acordar tarde num feriado nos braços de quem se ama, depois de uma noite de copos no café a conversar com amigos...  dar os bons dias com beijos sonoros e sonolentos, espreguiçar a dois, partilhar a dificuldade a sair da cama, tiritar agarradinhos no duche, ensaboar e ser ensaboado, tomar o pequeno-almoço em conjunto, partilhar croissants e as notícias dos diários, comentar as últimas dos candidatos à presidência, ficar horas a ver os episódios do Seinfeld e do Frasier, fazer planos, trabalhar em conjunto para eles, sair e fazer as compras a dobrar, respirar o ar fresco do anoitecer Invernal, caminhar pela rua de braço dado, e adormecer agarradinhos na esperança de que o dia seguinte seja minimamente parecido com aquele... desejar ardentemente esquecer todas as amarguras que nos perseguem e apreciar cada momento das coisas simples e bonitas que temos.
Escrito por AnaDiáfana em 23:28:01 | Link permanente | Comments (1) |

Da vulnerabilidade feminina

Muito poderia eu dizer sobre este assunto. Tenho a imagem real da vulnerabilidade do meu sexo à minha frente. (Não estou a brincar... tenho um espelho mesmo por trás do portátil, e consigo ver o meu olhar triste reflectido por cima do ecrã.) Sempre me intrigou (e  me provocou inveja)  o modo como os homens conseguem dormir placidamente por muitos problemas que tenham, ao passo que nós tiramos particular prazer de estragar as nossas noites a cismar nos nossos, especialmente quando quando o mais elementar bom senso nos diz que não os temos realmente, pelo menos no sentido práctico. Isso leva-me a ponderar na possibilidade de que não se trate de «that time of the month», até porque tenho fases em que fico assim durante mais de um mês, e outras (abençoadas!) em que também eu consigo dormir placidamente. Chego à conclusão que existem pessoas que vivem em intermitências de constante sobressalto. Gente que nunca está satisfeita, a quem falta sempre alguma coisa. Podemos pensar que isso faz sempre avançar para melhor na busca de objectivos.... mas bem vistas as coisas, o que pode haver realmente de bom, em viver a vida assim, em contante purgatório auto-infligido? Sei que não foi sempre assim. Um dia um amigo (grande, dos maiores), escreveu sobre mim: «é capaz de contrariar a gravidade e analisar as coisas friamente como um macho»... com a gravidade não sei o que ele quis dizer, mas tenho saudades dessa minha faceta segura e decidida.

Bem, as coisas hão-de voltar ao sítio. Esse meu amigo, ainda o é... Vou dormir.

Escrito por AnaDiáfana em 04:28:54 | Link permanente | Comments (0) |