Teia de aranha
Pus-me a ler escritos antigos. Não devia. Fechei portas que não posso voltar a abrir, e remexer na lama não vai ajudar em nada... Mas custa sempre cortar o cordão umbilical, e ele é forte... a cicatriz dói durante muito, muito tempo. Às vezes lateja intermitentemente, e acende com intensidade em dias duros, como este. Podemos seguir tantos caminhos diferentes que se entrelaçam e separam que pensar nisso faz doer a cabeça! Pensar que certas coisas nunca teriam acontecido se naquela fracção de segundo não tivéssemos, por exemplo, olhado para o lado... Não sei se é verdade, como Yung afirma, que tudo acontece por uma razão. Soa um bocado a charlatanismo de feira, e envergonha-me ter este tipo de pensamento pouco pragmático mais típico duma dona de casa supersticiosa e assustadiça. Mas também assusta que as coisas estejam todas votadas ao acaso, que sejamos donos e senhores do nosso destino, apesar do labirinto ser completamente imprevisível, e a cada curva do caminho podermos deparar com um beco sem saída. Sempre nos agarrámos às religiões e crenças para explicarmos o inexplicável, e para termos a que nos agarrar de modo a ter confiança no futuro.
É um jogo de dados... arrisca-se. Perde-se ou ganha-se. Nunca se fica de fora...
