O Túnel

Há uma luz intensa ao fundo do Túnel, dizem, e há como que uma espécie de chamamento perceptível pelos sentidos. Acho que comecei a chamar-me a mim própria há algum tempo atrás. A princípio creio que não era mais do que um murmúrio débil, uma tentativa fraca de chegar até mim; e no entanto, não deixou de me falar ao ouvido e não me deixou de dizer que eu não era quem eu estava a viver enquanto eu não vesti a minha própria pele.
Creio que é essa a prova da passagem definitiva para a idade adulta; quando se deixa de ser o que se espera de nós, e se passa a ser quem se é, de facto. Como toda a metamorfose, esta é, sem dúvida, uma fase transitória, mas dolorosa.
Deixa-se de ter medo de não ser igual a toda a gente.

