«Preciso que me ajudes... Sim, tu! Eu sei que fui eu quem te renegou, quem nos renegou a nós. Os erros que cometi só podem ser ultrapassados de me rojar a teus pés e me encher duma esperança desesperançada, mas que, ainda assim, existe. Porque tu, ao contrário de mim, tinhas a certeza e me disseste que me esperarias sempre.».
Ainda não estou preparada para o salto final, para o estertor que me trará de volta, para que me abraces finalmente. Quanto aos erros, obstáculos a esta nuvem branca, não sei. Encho-me de uma derradeira paciência, porque não se pode esperar apoio de quem está vazio... O vazio é triste, e feio, e nunca saberá nada sobre o que já tivemos, em tempos. No fundo, apiedo-me de tanto Narcisismo, porque olhar para o espelho não faz com que estejamos acompanhados... é estar só. Lembro-me da despedida egoísta que foi feita naquela noite quente, o Ritual dos Sentidos, e que me marca como um ferro em brasa. Como poderia eu esquecê-la? Faz-me mal e corrói-me por dentro. Renego este pensamento, porque me impede de correr para o objectivo final da redenção. Os erros hão-de desvanecer-se sozinhos, quando bem entenderem, porque afinal só olham para si mesmos... como que para o espelho.