Tudo a nú.
Já me disseram, e não deixo de concordar, que eu achava que era o centro do mundo. Como se isso fosse mau... e como se nem toda a gente achasse isso acerca de si próprio, as mais das vezes. Hoje, dia raro em que me encontro em paz comigo própria, resolvi reflectir sobre o assunto. É bom quando conseguimos estar assim, em equilíbrio. A minha condição feminina nem sempre mo permite, com este fluxo violento de hormonas que me fazem dizer e fazer o que não quero nem penso, e me fazem empolar os acontecimentos até um paroxismo incompreensível. Muitas vezes, felizmente, consigo pensar com lucidez. Olho para trás e consigo ver que consegui sempre aquilo que queria; quase sempre, pelo menos. O problema foi descobrir os objectivos, antes de lançar os meus esforços sobre eles. Quando se tem uma alma de diletante, o pensamento vagueia por tantas pretensões divergentes, contraditórias até, que se torna muito difícil discernir aquilo que achamos realmente importante daquilo que achamos que queremos, pela ânsia de mostrar aos outros que conseguimos ser aquilo que esperam de nós. Acho lindo, quero para mim... ou quero para mim porque outros acham bonito? Acho que lentamente distingo as coisas. Não quero saber se acham que os blogues servem para frustrados que não podem expressar de outra forma as suas opiniões e críticas de música e cinema, bem como ditames banais acerca das suas patéticas vidas. Creio que li algo semelhante, algures. Escrevo para mim. Nunca tive um diário que durasse tanto tempo, por exemplo. E o facto de que outros, anónimos ou não, possam por aqui passar e devassar a minha nudez mental, também não me incomoda. Considerem-no Naturismo Prosaico.
