Abril 09, 2006

Da incessante busca pelo amor

O «amor da nossa vida» não é a pessoa que fica ao nosso lado para sempre. Esse é o nosso amor terreno, a pessoa com quem um dia estaremos sentados à lareira a ler o jornal ou, numa visão optimista, um livro (quem sabe até poesia!) já subjugados pelo peso dos muitos anos em comum, quando os gestos trémulos das carícias, que ainda as há, são meros esboços dos afagos vigorosos de outros tempos... Esse amor é o amor do companheirismo e da cumplicidade. É o amor que fica, o que escolhemos, é a nossa casa. O «amor da nossa vida» é tudo aquilo que nunca vivemos, é tudo o que escolhemos não viver... é o «e se...?», o inacabado, o não resolvido. É a divinização de alguém que nunca seria como a ilusão que escolhemos ter dele para sempre, a idealização duma entidade perfeita para nós que nunca seria palpável. É o inalcançável, já que aquele que escolhemos para ficar do nosso lado nunca poderá vencer a luta desigual e injusta que trava com essa Divindade no íntimo de quem a tem. O «amor da nossa vida» não exige esforço nem empenho porque já é perfeito e, no entanto, nunca será.

O amor terreno quer alicerces, e vigas, e grandes colunas de betão. Quer abraços e beijos quando desfalece e fica doente... Quer frases bonitas quando paira no ar o desconsolo, quer amistosas pancadinhas de encorajamento, e leite quente, e bolachinhas com recheio... só hoje. Quer provar os lábios mesmo quando já não há sabor, ou quando ele está esbatido pelo entorpecimento dos dias. Quer fazer a cama, descascar batatas, e cheirar a comida, às vezes... Dormir pouco, ouvir resmungos, deixar de fazer coisas que gostava de fazer. O amor que fica não é perfeito, mas existe!

És tu a minha casa? 

Escrito por AnaDiáfana em 22:43:57 | Link permanente | Comments (1) |
Comentário
1 - ta lindo...
é isso mesmo, concordo plenamente contigo!!
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Escrito por: luali em 2006/04/29 - 04:20:05
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