Maio 08, 2006

O Monstro não precisa de amigos

É monstro sem o saber. E tem alguns sentimentos, também, o que torna um paradoxo a designação. Tem necessidades, muitas... sobretudo físicas, como os animais. Despreza fragilidades emocionais. Basta-se a si próprio e a pessoa que  acompanhará será alguém que esteja por perto à hora certa, que se lhe depare no caminho que estipulou para si e de onde não se desviará um milímetro que seja, centrado no orgulho de quem sabe que vai além das expectativas que tinham sobre ele. Não olha para trás nem cede à fraqueza de se comover com factos do passado. As fotografias de gente que lhe é próxima são meras folhas de papel para onde nunca olha. Não sabe o que são saudades a não ser para se lembrar da falta física e da necessidade de contacto humano para actividades lúdicas de entretenimento. Não é, de resto, essencial, posto que os objectos que possui, escolhidos a dedo, servem-lhe para suprir a básica necessidade consumista de quem gosta de viver um modo de vida a raiar o ascetismo. As mulheres são objectos de adulação por quem se apaixona e inevitavelmente se desilude, ao descobrir que gostam naturalmente dele e de como ele se mostrou na altura em que fazia por consegui-las. Ilude-se, também, no fundo, quando pensa que existe uma parelha certa para ele... no fundo, enfada-se com a companhia, e faz-lhe falta é a distracção. Se alguém precisar dele, escorre como uma enguia e finca os pés como arauto da honestidade, clamando a viva voz que nunca prometeu ser ou dar mais do que aquilo, que a verdade é que têm de o amar como ele é. Faz isto numa altura em que já sabe que é fácil manipular o ser dependente que domou pela meiguice... Faz sofrer e sacode quem se debilita e contorce, em agonia. Não terá saudades, de qualquer modo...

 

Escrito por AnaDiáfana em 19:31:33 | Link permanente | Comments (0) |
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