Da autosuficiência
Queria dizer antes: consciência da realidade. Somos aquilo que pretendem de nós. Temos de sorrir e ser autosuficientes, não podemos precisar dos outros; a isto chama-se fraqueza humana, e a fraqueza é como em qualquer espécie do Reino Animal, uma condenação a um estado de dependencia que nos torna parasitas ou pode até significar extinção. Em qualquer um dos casos, leva a um fim prematuro da existência. Somos feitos para ser autónomos, estamos preparados até para viver sozinhos, se for caso disso, isolados de qualquer outra presença que não seja indispensável à sobrevivência na sua base. A uma sucessão de fraquezas segue-se a aniquilação final ou a passagem a uma outra fase, que se traduz num estado de força superior... É como a Lei de lamarck enuncia: o uso faz o orgão e a sua funcionalidade. Aprender é vivenciar experiências pedagógicas, que nos preparam ou nos causam a derrota final. Sorrir, parecer feliz e realizado, garantir uma imagem de sucesso e divertimento: é a chave para a atracção dos pares, que do mesmo modo, fogem em debandada à primeira evidência de ruptura.
Um meio diferente pode significar a alteração total das ideias e dos desejos, pode mudar a vida para sempre. Perdemos a noção de quem somos e do que queremos, agimos em conformidade com o momento. Se de repente somos novamente inseridos no ninho, já não sabemos como caber nele, e as coisas são irrevogáveis, mesmo ganhando a consciencia do logro. É tão mau quando qualquer coisa morre em nós, a ideia do que podia ser e não foi. A vida pode ser uma sucessão de momentos felizes, se a encararmos como uma longa experiencia pedagógica.
Quem me dera não aprender tanto.

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